terça-feira, 1 de junho de 2010

Dennis Hopper (na reitoria)


Blue Velvet, David Lynch,1986.

Lembramos Dennis Hopper. E com esta lembrança surge uma outra: um episódio da nossa vida universitária marcado pela sua personagem em Blue Velvet.
A Sally que o diga.

K. Douglas

quinta-feira, 13 de maio de 2010

FFF

Verão de 2004, Campeonato Europeu de Futebol. Durão Barroso anuncia o abandono do cargo de Primeiro-Ministro e a sua fuga para Bruxelas.
Maio de 2010, Visita do Papa a Portugal. José Sócrates comunica a subida do IRS e do IVA.
Mmmmm.... Velhos hábitos?!
Sally Bowles

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Em que filme é que se diz que a infância são cheiros?

Caro leitor,

Acabo de me render à poesia de B. Parker. Depois da confusão que foram os beijos pastosos (foi situação existencial pela qual nunca passei - beijos pastosos?!, mas que raio!) e das múltiplas visões sociais de uma tal de Francisca - andas a ler Heiddeger em segunda mão, B. Parker? -, sucumbo ao poder da imagem da infância que está em baixo.

K. Douglas

III

Sandes de fiambre
Com manteiga
Pudesse embrulhar a infância num guardanapo de papel
Fechá-la num saco de plástico
Transparente
Com nó duplo
Para não fugir.
B. Parker

terça-feira, 4 de maio de 2010

Crying at the kitchen sink

K. Douglas

terça-feira, 27 de abril de 2010

I know you're there


Audrey Hepburn, Wait until Dark, 1967.

Wait until Dark (Terence Young, 1967) é o último filme que Audrey Hepburn protagonizou antes de uma retirada que durou até ao ano de 1976. O filme é a adaptação cinematográfica da peça de Frederick Knott, autor do célebre Dial M for Murder, realizado por Hitchcock em 1954. Há afinidades que são fáceis de detectar entre os dois textos: em ambos a acção é concentrada num espaço fechado (Wait until Dark desenrola-se numa cave, o que potencia ainda mais o efeito de prisão) e as protagonistas são mulheres que têm que lutar pela sobrevivência. Grace Kelly está enleada pela teia urdida pelo marido, Audrey Hepburn, cega, terá que fazer frente a um sociopata na escuridão. O registo dos vilões é diferente. Ray Milland, o marido traído, é um homem muito agradável, afável, quase brincalhão. O modo como monta o seu plano é de uma grande mestria, assim como a sua interpretação. Alan Arkin, Mr. Roat, também é dono de uma boa interpretação.. É frio, sujo, amoral e, em certos momentos – por exemplo, aquele em que rasteja no chão, dando força ao corpo com o punhal que segura nas mãos – aproxima-se de um registo animal.

A trama de Wait until Dark cresce em torno de uma boneca (o que não deixa de ter significado) que acaba por ir parar a casa do casal Hendrix e que tem que ser recuperada. A tarefa parece ser fácil, tanto mais que a mulher – Susy – cegou recentemente. Mas como pode adivinhar, não é. Diz-se que a interpretação de Hepburn é diferente das raparigas ingénuas que antes representara em algumas das comédias que interpretou. Sim e não. Em minha opinião, a sua interpretação está fora do habitual na medida em que o que está em causa é uma mulher que é aterrorizada e não tem por onde escapar. Susy é levemente ingénua, é sensível, emotiva, mas ao mesmo tempo é uma mulher forte e no jogo do gato e do rato não é fácil apanhá-la. É neste jogo que pulsa a força do filme. A partir do momento em que Susy percebe que está metida numa ratoeira, que as pessoas em quem acreditou querem, afinal, fazer-lhe mal, o filme é electrizante. Num rasgão de claridade, Suzy parte todas as lâmpadas da sua casa – é uma boa sequência – e apronta-se a receber de novo os visitantes, mas desta vez no seu território. A luta na escuridão e a inversão dos papéis de gato e de rato, é um grande momento. Hepburn modula com firmeza a sua personagem. Assim, face à estupefacção de que o agressor está a espalhar gasolina pela casa, Susy consegue o domínio da situação, apanhando o pequeno garrafão do combustível, o qual lança ao agressor e, apoderando-se de uma caixa de fósforos, ilumina a escuridão, ameaçando… bem, pegar fogo a alguém. Porém, Susy esqueceu-se de uma lâmpada.

O filme conta com um culto apreciável. O clímax do confronto consta como um dos momentos clássicos na história dos filmes do género e fez pular muito gente, embora seja provável que isso já não aconteça. Feitas as contas, Wait until Dark não é uma obra-prima, mas é um bom filme. É inteligente, é bem realizado (uma nota para os planos panorâmicos que abarcam quase a totalidade do espaço da acção, mostrando o aperto e, também, para o uso dramático das sombras), e é  bem interpretado.

K.Douglas

domingo, 25 de abril de 2010

Abril - E depois do Adeus


Não há muito para dizer - a canção é incontornável. Feliz 25 de Abril!

K. Douglas

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Aviso à navegação!

B. Parker, isto NÃO É o Abrupto.
K. Douglas

quinta-feira, 22 de abril de 2010

II

Francisca,
Francisquinha para os papás,
Chiquinha para o tio Tomé,
Chica para o Carlos,
Doutora Francisca para a loura da recepção,
Dona Francisca para o Senhor Manuel da mercearia,
Vizinha para a velha do 2º C,
Sonsa para a Luísa da pastilha elástica,
0035 0000 2598 3211 9900 1 para o patrão,
12117598 para o Estado,
Ninguém para muita gente.
B. Parker

segunda-feira, 19 de abril de 2010

5 anos é muito tempo

Conhecem aquela pergunta que, infalivelmente, aparece em todas as entrevistas de emprego: Onde é que você se vê daqui a 5 anos? E isto quando não alargam o tempo para dez ou quinze anos, como se possuíssemos uma bola de cristal lá em casa, entre a torradeira e o micro-ondas.
Só de pensar nela, gela-me o sangue. Antes de qualquer entrevista, eu preparo uma resposta adequada - sei que devo mostrar ambição mas sentido realidade e incluir nos meus planos o emprego para o qual me candidato, mesmo que seja o de distribuidor do Destak. Porém, apesar do treino prévio e do aquecimento da minha espinha dorsal, não consigo deixar de suar frio perante o dilema - Onde me vejo daqui a 5 anos?
Para ser franca, quero lá saber! 9 às 17, 13º mês, contrato, salário fixo, três semanas de férias em Agosto, patrão - eis alguns dos aspectos que sempre associei a um profundo tédio. Saber onde vou estar daqui a 5 anos, ou pelo menos tecer uma suposição sobre tal, não revelaria apenas a minha falta de confiança nas surpresas que o futuro reserva? Aborrecido, não?
Admito que possivelmente estarei a ver o copo meio cheio. Ter um contrato, salário fixo, blá, blá, blá, tirar-me-ia de cima as preocupações básicas sobre o meu sustento e, então, poderia preocupar-me com outras coisas como a dívida pública ou a nuvem da Islândia (já repararam que ninguém consegue pronunciar o nome do raio do vulcão?).
Porém, acreditem - eu até acho um certo charme em viver em crise.
Sally Bowles

P.S.: Independentemente de quem seja esse(a) B. Parker, creio que não foi só o gato que ficou confuso.