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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Dream River


No dia 17 de Setembro é editado um dos discos pelo qual mais tenho esperado. A press release da Drag City diz: "Recorded earlier this year at Cacophony, TX, (look it up!), Dream River features eight performances that are easily the most sensual and soulful of Callahan’s career, baby! " Não sei mais nada. Ainda assim, estou com uma expectativa tremenda.

K. Douglas


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Trouble Will Find Me


The National, Trouble Will Find Me


Forço-me a escrever sobre Trouble Will Find Me, o novo disco dos National. Foi um disco pelo qual esperei ansiosamente. Ouvi muito o High Violet, um disco pelo qual me apaixonei à primeira vista. Aquelas canções (Terrible Love, Sorrow, Anyone's Ghost, Little Faith, Bloodbuzz Ohio, Conversation 16, Vanderlyle Crybaby Geeks) foram direitas ao meu coração e ocuparam por inteiro as aurículas, os ventrículos e fizeram a grande circulação. Posso dizer que criei uma relação de intimidade com elas – eram minhas e ocupavam-me por inteiro – e reforcei o meu gosto pelos discos anteriores, onde descobri grandes canções, quando tinha passado por elas como cão em vinha vindimada (já disse que Boxer é um disco perfeito de uma ponta à outra? Que Alligator tem canções perfeitas como The Geese of Beverly Road, Lit Up, A Friend of Mine, para não falar de Mr. November, Abel e de All the Wine?). Assim, perante esta descrição, talvez se possa imaginar a minha expectativa.

Essa mesma expectativa ficou longe de ser preenchida com as primeiras audições de Trouble Will Find Me. Já ouvira antes Demons e tinha-me sabido a pouco, para alguma tristeza minha. E agora, ao ouvir o disco, não sentia nada daquela sensação de entrega a um disco como escrevi em cima. Mas os National têm destas coisas. Quando ouvi o Alligator pelas primeiras vezes, disse a amigos: “Não percebo o que é que vocês vêem nestes gajos. São genéricos e aborrecidos.” Posso dizer que engoli cada uma destas palavras com grande satisfação. Não, não são genéricos e aborrecidos. Escrevem versos como: “Hey, love, we’ll get away with it/ We’ll run like we’re awesome, totally genius/ Hey, love, we’ll get away with it / We’ll run like we’re awesome / We won’t be disappointed / We’ll fight like girls for our place at the table / Our room on the floor “ (The Geese of Beverly Road) ou: "Tip-toe through our shiny city / With our diamond slippers on / Do our gay ballet on ice / Blue birds on our shoulders” (Fake Empire) ou ainda: “I'm a confident liar / Had my head in the oven so you'd know where I'll be /I'll try to be more romantic / I want to believe in everything you believe / I was less than amazing /Do not know what all the troubles are for / Fall asleep in your branches /You're the only thing I ever want anymore” (esplendorosa Conversation 16). E compõem canções rock como Mistaken for Strangers, Secret Meeting, Mr. November, Terrible Love, Bloodbuzz Ohio ou litanias acabrunhadas como Green Gloves ou a única Slow Show - "I wanna hurry home to you /Put on a slow dumb show for you / And crack you up / So you can put a blue ribbon on my brain / God I’m very, very frightened /I’ll overdo it".

As canções de Trouble Will Find Me não são diferentes das anteriores. O novo disco é claramente um disco de National. Talvez o disco mais diferente seja mesmo High Violet. Demons é claramente descendente deste. Aquela orquestra abafada, como a pulsar no interior da nossa pele, faz lembrar Sorrow, ainda que esta, na minha opinião, tenha um efeito mais eficaz. Sea of Love também está na continuidade de algumas canções que apontei em cima, como Abel. É uma boa canção, com as guitarras a meterem-se naturalmente no nosso corpo para se suspenderem por algum tempo no nosso interior com esta verdade: "If  I stay here, trouble will find me / If I stay here, I'll never leave / If I stay here, trouble will find me / I believe". Graceless também é uma boa canção, que poderia fazer parte de um disco como Boxer, assim como Don't Swallow the Cap. A vida de Berninger parece estar sempre em cima da mesa, sem saber o que fazer com ela. O que me parece destes registos é que são mais contidos e polidos. A própria banda fala de um equilíbrio e paz na composição do disco. Mas eu encolho os ombros a isso. Lamento, rapazes. 

A canção que mais me conquistou do novo disco responde pelo nome de Pink Rabbits. É uma balada romântica. Dito assim, não soa bem. Mas o piano e a bateria marcam o passo, com a voz embargada de Berninger a embalar as sensações. É completamente imediata - cinemática - e tem estes versos maravilhosos: 

I was solid gold I was in the fight
I was coming back from what seemed like a ruin
I couldn't see you coming so far
I just turn around and there you are

I'm so surprised you want to dance with me now
I was just getting used to living life without you around
I'm so surprised you want to dance with me now
You always said I held you way too high off the ground

You didn't see me I was falling apart
I was a white girl in a crowd of white girls in the park
You didn't see me I was falling apart
I was a television version of a person with a broken heart


Há uma série de imagens recorrentes nas canções dos National. Por exemplo, os bolos são uma presença regular, assim como os pássaros e, claro, as raparigas. Isto pode ser assunto para um outro post. O que interessa agora é Trouble Will Find Me. E o que posso dizer é que é um bom disco e que o vou ouvir muitas vezes. E acredito que estas canções têm o poder de conquistar o ouvinte - não por hábito, mas por mérito próprio; por terem força e por conseguirem mostrar-se de outras maneiras ( I Should Live in Salt, a canção que abre o disco é um bom exemplo do quero dizer), levando-nos a abraçar as colunas durante horas, roubando uma imagem da minha adorada Apartment Story.

K. Douglas



domingo, 1 de janeiro de 2012

K. Douglas é um óptimo nome, não é?

Kirk Douglas, Ace in Hole, Billy Wilder, 1951
Fiquei muito contente quando vi que a Maria voltou a escrever. O seu texto maravilhoso fez com que tivesse vontade de escrever alguma coisa e assim o faço. Porém, e apesar da ideia me entusiasmar, não me comprometo a um contributo constante. A razão é simples: acho que não tenho muito para dizer. Ao mesmo tempo, e como é dia de Ano Novo, decidi fazer uma referência aos discos que mais ouvi e que mais gostei em 2011.

A primeira coisa  que posso dizer é que passei boa parte do ano a ouvir alguns discos de 2010. Apesar de ouvir música todos os dias, ando longe de estar actualizado e é normal ouvir os discos meses depois da sua edição e, claro, já depois de toda a gente os ter ouvido. Alterar isto pode ser uma boa resolução de ano novo. Por outro lado, receber um dvd cheio de álbuns para descobrir é uma coisa que me agrada. Foi o que aconteceu por princípios de 2011. Nesse dvd de mp3 estavam discos de que gosto muito.  Num instante, This is Happening - LCD Soundsystem; Everything in Between - No Age; Lisbon - The Walkmen.  A estes junta-se o High Violet dos National, o meu preferido de 2010. Tive um prazer enorme em ouvir muitas e muitas vezes o High Violet, em voltar ao Alligator e ao Boxer e gostar ainda mais deles.

Bill Callahan, Apocalypse, 2010
Os discos de 2011 que mais gostei foram o Apocalypse de Bill Callahan  e o Kaputt de Destroyer. Do primeiro, destaco canções belíssimas como Drover, Universal Applicant e Free's. Acrescente-se Helplessness Blues dos Fleet Foxes, o disco de Bon Iver e, nos últimos tempos, Belong dos The Pains of Being Pure at Heart, que, não sendo extraordinário, é bem porreiro, tal como o seu antecessor.

Uma última nota, que talvez agrade à Maria. Li Um Homem Singular. Gostei e fiquei impressionado com o final. Por agora, estou a chegar ao fim de um grande e famoso romance russo, cuja leitura me enche de vaidade.

Um bom ano!


K. Douglas







segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

A colecção de discos: um género de biografia




O último disco que comprei foi o Tigermilk dos Belle and Sebastian. Encontrei-o a 10 euros numa loja de discos em segunda mão. Como é mais ou menos regular (ou pelo menos já foi mais assim), esta loja encontra-se num centro comercial pequeno, cujo dourado nas paredes ainda reluz os anos oitenta. Assim, às vezes, quando estou na esplanada interior, os penteados e as roupas parecem recusar a forma actual. Há uma leve melancolia nas montras das lojas que anunciam promoções de roupa interior ou, então, na montra da loja de informática que acumula gadgets já pouco ou nada funcionais. A loja de discos tem uns quantos vinis colados na montra. São clássicos a dar para o óbvio: Beatles, Amália, um ou outro hit dos anos oitenta (pelos menos não há Bonnie Tyler, julgo), etc. Nada causa surpresa, um leve pulo. E a acontecer, logo seria refreado, pois o que está na montra não é para venda - só os discos no interior. Olhamos para eles e sabemos que não vale a pena o trabalho de os ver. O mau génio do dono da loja não se atreve a censurar o nosso desdém. No entanto, pode encontrar-se sempre alguma coisa que na altura não se comprou e que nunca se encontrou a um bom preço.

A minha colecção de discos é pequena. Há uns tempos atrás reparei que me faltam cerca de 20 discos para atingir um número redondo. Decidi então ir comprando os discos de que gosto muito, mas que não tenho. Não é uma regra rígida. Este fim-de-semana decidi dar uma nova arrumação aos discos e tentei uma arrumação por afinidades. Ao mesmo tempo, separei aqueles que me lembro ter comprado na dita loja. Não são maus discos, embora um ou outro tenha sido comprado porque que queria gastar dinheiro. Exemplo: o disco de covers de Joni Mitchell, editado em 2000. Apesar da soberba cover de si própria - Both Sides Now (uma canção de amor perfeita?) -, o disco não se livra da aura de canções para uma mulher solteira de 30 anos. Por outro lado, vi com nitidez que o primeiro disco que ali comprei foi o Dog Man Star. O sítio dos discos na vida não é apenas um só: desaparecem num sítio para aparecerem noutro. É  o caso de Tigermilk.. Dizer que a música pop está apegada à vida não é um mero cliché. A estante dos discos é um sinal inequívoco disso - remete sempre para algo diferente de si. Por isso é que às vezes se baralha tudo, pondo os discos ao calhas, ou então se arruma por ordem alfabética, o modo mais impessoal, objectivo, de todos.


K. Douglas