quarta-feira, 17 de junho de 2009

"It's a wicked life"

Pensei que seria boa ideia escrever qualquer coisa séria para o blog. Qualquer coisa com conteúdo, com opinião. Sim, seria bom esforçar-me. Por exemplo, seria porreiro falar das muitas vezes que tenho ouvido Dylan nestes tempos e de como isso me tem deixado contente. Que leio as letras com uma grande satisfação, que adoro a Simple Twist of Fate, que fico comovido a um ponto constrangedor com a Desolation Row, que pego com delicadeza exagerada na minha cópia do Blonde on Blonde e que ouço em repeat a Visions of Johanna. Mas não dá.
K. Douglas

terça-feira, 16 de junho de 2009

"O rio que é verdade"

Sempre que ouço Evaporar dos Little Joy lembro-me do Tejo. Não sei se por saber que a ideia do projecto nasceu em Lisboa. Bem, a letra ajuda bastante: "o rio fica lá, a água que correu chega na maré, ele vira mar." Não consigo deixar de ter uma espécie de evasão de rapaz de classe média - como se estivesse no Cais de Sodré à espera do barco para Cacilhas ou para o Seixal. Parado, deixo que os golpes de luz branca da água me entrem nos olhos e façam crescer qualquer coisa.
K. Douglas

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ir à bola!

Eu sei que a nossa especialista em cinema é a Menina Braun mas hoje vou entrar de leve no campo da nossa "Mata-Hari do milagre económico".
No passado fim-de-semana fui ver o filme comemorativo dos 60 anos do Festival de Cannes, Cada um o seu cinema (Chacun son Cinéma). Para os mais distraídos aqui fica uma breve sinopse: foi pedido a 33 realizadores que fizessem um filme de 3 minutos sobre o cinema, o seu público e o seu espaço, as salas. O resultado foi uma mescla de curtas (ou melhor, de curtíssimas) muito díspares e que conferiram uma grande heterogeneidade ao produto final que não deixa de ser interessante.
Como é costume neste tipo de produção, há fragmentos melhores que outros (não compreendi que raio de obsessão era aquela pela cegueira!!) mas todos perfeitamente reconhecíveis no estilo de cada um dos realizadores. Por exemplo, a curta de David Lynch é identificada logo no primeiro segundo, como não podia deixar de ser. Mas o mesmo acontece com Cronenberg, Van Sant ou mesmo com o nosso Oliveirinha e a sua bem disposta contribuição (Ah! A barriguinha do camarada papa!).
Apesar de todas as sequências merecerem um post, hoje apenas queria falar da curta-metragem de Ken Loach que surge no final. Um pai e um filho numa fila para a bilheteira tentam decidir que filme irão ver, perante a impaciência das outras pessoas que também esperam pelo seu bilhete. As sugestões do pai para o filho adolescente não deixam de ser curiosas - uma caricatural tendência para o cine-lixo. Os que esperam na fila também dão as suas sugestões. Ficamos com a ideia de que nós não poríamos os pés naquele cinema, de certezinha absoluta! Quando chegam ao final da fila, perante a impaciência da rapariga da bilheteira, o pai toma uma decisão que é imediatamente aplaudida pelo filho - vamos mas é ao futebol!
Pois é, meus caros, hoje troquem a sala de cinema pelo Barcelona-Manchester (Barça! Barça!). Então se estão a pensar ir ver os Anjos e Demónios, é mesmo o melhor que têm a fazer. Embora a ideia do Ewan McGregor a fazer de padre não deixar de ser... enfim... falta-me a palavra... passo a bola à Maria Braun que percebe melhor disso do que eu!
Sally Bowles

sábado, 25 de abril de 2009

Aniversário da revolução


Foi com alguma tristeza que a meio da tarde me dei conta que ainda não tinha feito nada que dedicasse a este dia. Celebremos Abril e combatamos a pequenez dos dias e da vida.
K. Douglas

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ainda Jools

Resolvi continuar com o que se pode chamar “homenagem a Later”. Mais três actuações retiradas do programa de Jools Holland, agora só com vozes femininas. A primeira é Bjork, com Hyperballad, em 1996.



Segue-se Tori Amos, com Suede, em 1999.



Por fim, a primeira actuação das três, em termos cronológicos. São os Portishead, com Glory Box, em 1994.



Enjoy!

Maria Braun

quarta-feira, 18 de março de 2009

Ao vivo com Mr. Holland


Pulp, I Spy (1995)

Por falar em programas televisivos que vemos religiosamente, acho que é tempo de mencionar Later with Jools Holland. Durante toda a segunda metade dos anos 90 e primeiros anos desta década não perdi uma única emissão. Quando penso na televisão que via na altura, esta é uma das minhas referências. Na década de 90, quando muitos programas de música apostavam nos videoclips e deixavam transparecer a influência MTV, era um alívio ver Later. Não era, nem por sombras, perfeito, mas conseguia ser ecléctico, misturando os sabores do momento com “clássicos” ou com algumas escolhas pessoais de Holland (muitas no campo da “world music”). Juntava-se cinco ou seis bandas ou músicos num único espaço, tocando alternadamente, e Holland servia de mestre-de-cerimónias. Later acabava por ser mais intimista que a maior parte dos outros programas de divulgação musical – o que deu o seu resultado, já que está no ar desde 1992. Nos últimos quatro ou cinco anos, no entanto, deixei de seguir o programa tão de perto.
Sempre que penso em Later – e na televisão que via nessa época, em geral – há um momento que me vem à mente instantaneamente. Falo da última canção que os Pulp tocaram na sua aparição em 1995, I Spy, que encerrou a emissão. Durante seis minutos não fui capaz de desviar os olhos do ecrã e de Jarvis. Às vezes não há uma explicação racional para as nossas preferências, mas a verdade é que, para mim, foi um momento hipnótico. Um daqueles momentos que definem um programa.
Junto outra actuação, esta de 1996: eram os Suede, com Trash.


Suede, Trash (1996)


Maria Braun

domingo, 15 de março de 2009

Stewart vs. Cramer

Há cerca de 9 anos que vejo fielmente o Daily Show e que ouço atentamente Jon Stewart. As últimas semanas relembraram-me porque o faço. A batalha de palavras entre Stewart e a CNBC – que o comentador financeiro Jim Cramer resolveu levar a peito, expondo-se desnecessariamente à fúria de Stewart – culminou na 5ª feira passada, com o apresentador do Daily Show a esmagar toda a credibilidade de Cramer. Esta história está por todo o lado, domina os blogs de opinião, os jornais e, segundo se diz, chegou à Casa Branca. Mas, mais que tudo, esta tomada de posição de Jon Stewart leva a uma pequena reflexão. Porque é que o trabalho dos jornalistas está a ser feito por um humorista? O apresentador de um programa satírico é, citando o New York Times, “the most trusted man in America”. Ele fez as perguntas difíceis que nenhum jornalista ousava fazer durante os anos Bush; agora, em altura de crise financeira, é Stewart que pergunta porque é que os comentadores e jornalistas financeiros não só não viram a crise a chegar, mas ainda a desvalorizaram enquanto puderam. Stewart aponta o dedo e diz que aqueles que tinham a responsabilidade de fazer jornalismo de investigação e de descobrir o que se estava a passar fugiram a essa responsabilidade e continuaram a servir os interesses das empresas. Todos nós sabemos quão confortáveis esses dois mundos estão um com o outro, ao ponto de já não se distinguirem – e isto também se aplica ao jornalismo político. Quando os jornalistas estão mais preocupados em fazer parte de um grupo e em defender os interesses desse grupo, a investigação acaba por ficar a cargo daqueles que não tem essa função. Jornalistas financeiros? Não, profetas do mercado livre. Parabéns a Jon Stewart. Porque ele prova que é melhor jornalista do que muitos que usam esse título.
Maria Braun

sexta-feira, 13 de março de 2009

Dreaming about Acapulco and having fun

Air France, No Excuses.

K.Douglas

«Push the barman to "heal" old wounds»

Devo dizer que já ando há algum tempo para fazer referência aos dois seguidores oficiais deste blogue. Em vez de ter ficado contente quando os vi, devia ter ficado preocupado e pensar nas parvoíces que vou escrevendo. Mas sofro de algumas patologias, nomeadamente de egoísmo lógico - se tal coisa existir - e não me preocupei. Pelo contrário, fiquei completamente rendido ao blogue de um dos nossos seguidores: um blogue de cocktails. The perfect blog! Não vou dizer que este blogue é o verdadeiro, o genuíno, o autêntico, serviço público, isso apareceria noutros sítios, ou que devia espezinhar os blogues de receitas para a bimby (o que deveria acontecer), mas uma coisa tão simples como: para além de todo o possível estilo que a coisa tem, este blogue, como os possíveis congéneres, é verdadeiramente útil, eficaz, no combate contra o tédio. O mesmo é dizer que é o remédio para o mal da existência, para um dos seus maiores (qualitativamente) pecados. Ah! o gelo escandinavo! Um Epicuro shot, por favor.
K. Douglas