domingo, 30 de setembro de 2012

Oh, mother!



Creio que as minhas bandas-sonoras preferidas são as composições de Bernard Herrmann para os filmes de Hitchcock. A memória da primeira vez que vi Vertigo é uma boa e nítida assombração por causa de Herrmann. E não importa quantas vezes veja o filme, o raio do realizador e do compositor arrastam-me sempre. Tenho muita dificuldade em descrever música. Ainda assim, diria que a música de Herrmann não faz sentir um só sentimento. Quero dizer, a sensação de alguma coisa não é algo linear: lateja, incha - a sensação parece ter múltiplos tons. Mesmo as peças mais sinistras não nos afastam de imediato. Sabemos que há um aviso de perigo, mas continuamos. O caso mais flagrante é justamente o de Psycho. Gosto mais das bandas-sonoras de Vertigo, de North by Northwest (talvez a minha preferida) e de Marnie. Porém, decidi-me por este vídeo porque é sempre espantoso, pelo menos para mim, ver o poder de uma orquestra, mesmo quando interpreta algo que não é aprazível e que tem contornos de terror (sinta-se o final da peça - parece que o mal está consumado e não há nada a fazer). A banda-sonora de Psycho deve-se ouvir em segurança.

K. Douglas