Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Porca com Sorte




Há uma semana que estou para colocar este vídeo no blog. Miss Piggy nos BAFTA. Quem diria que eu alguma vez teria inveja de uma porca.


Maria Braun

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

João Gilberto - Você e Eu

          


K. Douglas

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

No Future/No Past


Este é o video de No Future/No Past, a primeira canção de Attack on Memory dos Cloud Nothings. 


K. Douglas



Domingo à noite

Desculpem a minha demora em escrever. Terminei, há uns dias atrás, o tal grande e famoso romance russo que estava a ler: Anna Karenina. É inesquecível. Talvez escreva algumas impressões em breve, nomeadamente sobre a sensibilidade apurada de Tolstoi - acreditem: um cintilar no olhar, quase imperceptível, é suficiente para que a vida mude de forma irremediável. Por agora dedico-me a umas notas soltas que me foram surgindo ao longo deste serão de Domingo escuro, frio e deprimente.

A primeira coisa de que gostaria de falar é sobre o acordo ortográfico. Não sou a favor do acordo ortográfico e não o vou utilizar na minha privada. No entanto, se algum dia tiver que escrever um documento público, de carácter oficial, o que seja, então farei uso do acordo. Por outro lado, acompanho a aprendizagem de uma criança e, nessa situação, sigo o acordo - tanto mais que está implementado nos manuais escolares. Isto para dizer que não aplaudo, de modo algum, Vasco Graça Moura. Não creio que se possa imprimir juízos e determinações pessoais na condução de uma instituição que, ainda que de direito privado, está na dependência administrativa do Estado. O presidente é o órgão máximo da fundação e é nomeado pelo ministro da Cultura. Ups, secretário de Estado. Portanto, a deliberação de Graça Moura, para mim, não é mais do que a criação de que um pequeno nicho de poder e que se apresenta incólume, tanto que o secretário de Estado já fez saber que nada poderá fazer quanto à decisão (não?!) e o primeiro-ministro, em resposta a António José Seguro é cabal no esclarecimento: «Queria dizer-lhe que o Governo não tem nenhum esclarecimento a acrescentar sobre esta matéria. O acordo ortográfico entrou em vigor a 1 de janeiro deste ano, assim o confirmam os manuais escolares, assim como todos os atos oficiais, e ele será cumprido.» Bem, porque a aplicação do acordo ortográfico reveste a forma de lei, a decisão de Graça Moura pode levantar algumas questões.Nomeadamente, qual é o espaço de acção dos administradores? Pode alguém que está na alçada da administração do Estado dizer: eu não aplico? Sim? Então, as consequências podem ser extensas.

Disse que este serão é escuro, frio e deprimente. O terceiro adjectivo não deriva necessariamente dos dois primeiros, mas sim da televisão, das notícias. dos comentadores, de Marcelo Rebelo de Sousa, da maneira condescendente com que tratam as pessoas - os "portuguesinhos". Não tive oportunidade (faço aqui um pequeno excurso) de ler na íntegra a entrevista de Judite de Sousa à Pública, mas o que li foi suficiente e grave. A senhora orgulha-se, por assim dizer, de fazer parte de uma narrativa que levou ao pedido de resgate do país. Há muitas coisas que podem ser ditas sobre o assunto e também não se pode ser ingénuo no que diz respeito à interferência da comunicação social na política. Mas julgo que deve ser dita uma coisa. Judite de Sousa chegou à TVI e quis mostrar as suas insígnias de jornalista (não resisto: Manela, vê como eu chego e despacho o Sócrates num instante e tu nunca o conseguiste fazer). Realiza quatro entrevistas a banqueiros que queriam a intervenção externa e assim foi feito, conseguiram (e talvez não houvesse alternativa - deixe-se essa possibilidade em cima da mesa). Qual é o resultado, Judite de Sousa? Que espaço de reflexão levantou? Que movimentos sociais ou de cidadania originou? Nada, de nada. "Apenas" um programa de ajustamento económico e um governo cheio de gente incompetente que está a acabar com o que resta do país. É certo, eu não li a entrevista na íntegra, mas acho que a pergunta é necessária: o que é que ganhou?  O que é que ganhou como jornalista? O que é que se ganhou? E porque é que a comunicação social, na sua generalidade, está num estado de bonomia bovina para com este governo?

Voltando à sensação de depressão dada pela televisão (passava a ferro enquanto a voz de Rebelo de Sousa chegava da sala). É horrível a condescendência com que se trata o português dito comum. É preciso explicar as nomeações e a atribuição de subsídios quando o trabalhador comum ficou sem eles, caso contrário, as pessoas não compreendem. Isto é indecente! Mas o que é que há para compreender? Não há excepções, ponto final. Não há uma massa de gente empobrecida, que vê cortes nas prestações sociais, subsídios, etc., e uma casta para quem os direitos são inalienáveis. Isto é óbvio, não precisa de ser dito. 

Por fim, finalmente vi Sangue do meu Sangue de João Canijo. Devo dizer que fiquei maravilhado e de coração apertado.



Sangue do meu Sangue, João Canijo, Portugal, 2011

K. Douglas

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Direcções

Eu não sei onde fica a Faculdade de Medicina Dentária. E não me perguntam outra coisa! «Escute, menina (senhora, os menos simpáticos), onde é a Faculdade de Medicina Dentária?». Eu sei onde fica a Faculdade de Letras, a Faculdade de Direito, a Reitoria, até sei que a Faculdade de Ciências é lá para trás, como quem vai em direcção ao Museu da Cidade. Mas a Faculdade de Medicina Dentária, não. Por isso, se você vir alguém na rua com ar de Sally Bowles (as ligas, o chapéu de coco... enfim, vocês sabem...), não lhe pergunte onde é a Faculdade de Medicina Dentária. Não sei. Ponto final. Até começo a desconfiar que a Faculdade de Medicina Dentária não existe e que tudo não passa de uma private joke que, definitivamente, não percebo.


Sally Bowles

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

Silver girls



Deixo também um dos meus vídeos preferidos do ano passado.


K. Douglas


Yes!



Sim, vamos começar de novo! Prometo para muito em breve um texto sobre as nossas últimas entradas. Por agora proponho este vídeo de Callahan de que gosto muito. É a primeira canção de Apocalypse. Sou fã de Callahan e seria muito natural gostar do disco. Ainda assim, devo dizer que fiquei imediatamente e inteiramente conquistado com o primeiro verso da canção - "The real people went away" - e com a densidade que a guitarra e a voz lhe dão. Como disse, é um dos meus discos preferidos de 2011 - aliás, é o meu disco preferido do ano passado - e, repito, tem canções belíssimas. Quando escrevi a minha última entrada não apontei Riding for the Feeling. My mistake.


K. Douglas

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Sim, K Douglas é um grande nome


Caro K! É tão bom ver-te de novo nestas páginas. Espero que voltes a contribuir frequentemente. Eu vou dar o meu melhor, apesar de não poder prometer nada. A inspiração voltou temporariamente, mas não sei se irá resisitir.
Gostei de ler as tuas sugestões musicais porque já não estou tão actualizada como antigamente. Longe vão os tempos em que conhecia bem os discos que iam saindo e que acompanhava religiosamente a imprensa musical. A idade começa a apanhar-me. Dos discos que mencionaste só ainda comprei um, o dos Fleet Foxes, apesar de ter ouvido alguns dos outros. Não queres partilhar connosco, também, os teus pensamentos acerca desse longo livro russo? Ou sobre A Single Man (sim, gosto bastante)? Eu sei que não posso pedir nada, porque nunca cheguei a escrever sobre My Fair Lady, como me tinhas pedido. Sorry about that.
Gostava muito de trocar ideias contigo e com a Sally. Talvez nos encoraje a escrever um pouco mais, a voltar a reclamar este blog como o nosso espaço. Yes/No?
Maria braun

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Ressuscitou! Ressuscitou!

A interjeição é pascal mas não posso deixar de expressar o meu júbilo por ver que, tantos meses passados, o trio mais insólito da blogosfera voltou à carga. E estamos em tempo de listas (ou ainda vamos a tempo delas...), não é? Então, se a Maria falou de filmes, o K. de discos, a mim, a corista da equipa, restam-me os livros.
Se o K. andou a ouvir discos de 2010, as minhas leituras foram ainda mais recuadas. Então, deixo aqui uma muito breve lista do best of da minha mesa de cabeceira durante o ano transacto. Sem ordem e nas edições que constam da estante aqui do camarim:

- Guy de Maupassant, Contos do Insólito, Lisboa, Guimarães Editores, 2004.
Perturbante. Bom para noites frias, acompanhado de um chocolate quente ou de um Irish Coffee, para os mais afoitos.

- Flannery O'Connor, O céu é dos violentos, Lisboa, Cavalo de Ferro, 2006.
Porque é sempre bom regressar ao sul.

- Jonathan Frazen, Correcções, Lisboa, Dom Quixote, 2010.
E de um momento para o outro, somos transportados para o meio de uma sala de jantar ou para a cabine de um navio de cruzeiro, rodeados de personagens estranhamente familiares.

- Hélia Correia, Adoecer, Lisboa, Relógio d'Água, 2010.
Amor e morte numa autêntica obra de filigrana narrativa.

- Milan Kundera, Um encontro, Lisboa, Dom Quixote, 2010.
Ensaios. De Francis Bacon a Dostoievsky, do cinema às artes plásticas. "É ao reler Cem anos de solidão que me ocorre uma ideia estranha: os protagonistas dos grandes romances não têm filhos.". Reflictamos sobre o assunto...


Sally Bowles

Domingo, 1 de Janeiro de 2012

K. Douglas é um óptimo nome, não é?


Fiquei muito contente quando vi que a Maria voltou a escrever. O seu texto maravilhoso fez com que tivesse vontade de escrever alguma coisa e assim o faço. Porém, e apesar da ideia me entusiasmar, não me comprometo a um contributo constante. A razão é simples: acho que não tenho muito para dizer. Ao mesmo tempo, e como é dia de Ano Novo, decidi fazer uma referência aos discos que mais ouvi e que mais gostei em 2011.

A primeira coisa  que posso dizer é que passei boa parte do ano a ouvir alguns discos de 2010. Apesar de ouvir música todos os dias, ando longe de estar actualizado e é normal ouvir os discos meses depois da sua edição e, claro, já depois de toda a gente os ter ouvido. Alterar isto pode ser uma boa resolução de ano novo. Por outro lado, receber um dvd cheio de álbuns para descobrir é uma coisa que me agrada. Foi o que aconteceu por princípios de 2011. Nesse dvd de mp3 estavam discos de que gosto muito.  Num instante, This is Happening - LCD Soundsystem; Everything in Between - No Age; Lisbon - The Walkmen.  A estes junta-se o High Violet dos National, o meu preferido de 2010. Tive um prazer enorme em ouvir muitas e muitas vezes o High Violet, em voltar ao Alligator e ao Boxer e gostar ainda mais deles e ainda, em alguns casos, descobrir canções geniais, pelas quais tinha passado como cão em vinha vindimada.

Os discos de 2011 que mais gostei foram o Kaputt, Destroyer, e o Apocalypse de Bill Callahan. Deste, destaco canções belíssimas como Drover, Universal Applicant e Free's. Acrescente-se Helplessness Blues dos Fleet Foxes, o disco de Bon Iver e, nos últimos tempos, Belong dos The Pains of Being Pure at Heart, que, não sendo extraordinário, é bem porreiro, tal como o seu antecessor.

Uma última nota, que talvez agrade à Maria. Li Um Homem Singular. Gostei e fiquei impressionado com o final. Por agora, estou a chegar ao fim de um grande e famoso romance russo, cuja leitura me enche de vaidade.

Um bom ano!

K. Douglas