quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vilões

O desafio que lancei a K e Sally não é dos mais simples, tenho de confessar. Quando se sai do domínio da literatura infantil ou de certa literatura de aventuras é mais difícil definir o que é um vilão. As personagens tendem a ser mais complexas – “shades of grey” e não a preto e branco. Entre as personagens que escolhi no meu post anterior, há várias que poderiam ser colocadas numa lista de vilões literários. Já o fizeram com Heathcliff e até mesmo com Becky Sharp. Pessoalmente não colocaria nem um nem outro nesta lista. Heathcliff é movido pelo desejo de vingança, é cruel, obcecado, desprovido de empatia. Mas não será um pouco simplista considerá-lo um vilão? O mesmo se pode dizer de Becky Sharp – ela é amoral, ambiciosa, manipuladora; mas vilã? Sinto-me mais confortável com o rótulo de “anti-herói” em ambos os casos.
Os vilões da minha lista vêm em diversas formas, podem ser abstractos, sobrenaturais ou seres humanos como qualquer um de nós. Alguns são vilões no seu extremo, na medida em que o mal que infligem é brutal e sem remorsos; outros são mais ambíguos. No entanto, tudo isto é uma questão de percepção. Poderia citar (mas não o farei) os múltiplos debates académicos sobre uma das minhas escolhas, Satã de Paraíso Perdido, e a forma como o leitor, sobretudo um leitor do século XXI pode ler a personagem e o seu papel de antagonista (e como pode haver uma dissociação entre a intenção do autor e a recepção). É toda a ambiguidade que torna esta escolha num exercício interessante.
Sem mais demoras, os meus vilões:

1. Big Brother (George Orwell, 1984)
2. Conde Drácula (Bram Stoker, Dracula)
3. Satã (John Milton, Paradise Lost)
4. Iago (William Shakespeare, Othello)
5. Long John Silver (Robert Louis Stevenson, Treasure Island)

Menções para o Juiz Holden de Blood Meridian, para Mrs Danvers de Rebecca e para o Professor Moriarty, arqui-inimigo de Sherlock Holmes em The Final Problem.
Maria Braun