sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Canções de Carnaval ou Chiquinho da minha alma


Noite dos Mascarados


Quem é você?
- Adivinha se gosta de mim
Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:
- Quem é você, diga logo...
- ...que eu quero saber o seu jogo
- ...que eu quero morrer no seu bloco...
- ...que eu quero me arder no seu fogo
- Eu sou seresteiro, poeta e cantor
- O meu tempo inteiro, só zombo do amor
- Eu tenho um pandeiro
- Só quero um violão
- Eu nado em dinheiro
- Não tenho um tostão...
Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
- Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar
- Eu sou tão menina
- Meu tempo passou
- Eu sou colombina
- Eu sou pierrô
Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira que você me quer
O que você pedir eu lhe dou
Seja você quem for, seja o que Deus quiser
Seja você quem for, seja o que Deus quiser

K. Douglas

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Óscares 2009

Eu sei que os Óscares são uma chatice! Os números musicais medonhos, os discursos soporíferos, os intervalos de minuto a minuto. Mas acaba por ser um ritual – Domingo, noitada no sofá. E chega-se a esta altura e começamos com as bolsas de apostas. Talvez fosse melhor tentar os cavalos ou os galgos. Mais selecto!
Enquanto não mudo isso, aqui ficam os meus prognósticos (estes, antes do jogo):
- Melhor Filme: Slumdogg Millionaire. Preferia Milk. (Mas a academia nunca foi gay friendly!).
- Melhor Realizador: Danny Boyle. Preferia Gus Van Sant (Idem!)
- Melhor Actor Principal: Brad Pitt?! Pela make-up?! Já sabem, eu escolheria Sean Penn (Idem!)
- Melhor Actriz Principal: Kate Winslet, como é claro! A equação perfeita: Nacional-Socialismo + Nudez + Maquilhagem de envelhecimento = Óscar.
- Melhor Actor Secundário: Heath Ledger. Mas o meu coração bate pelo Philip Seymor Hoffman! (O K. disse uma vez algo parecido...)
- Melhor Actriz Secundária: A freira, a stripper ou a louca? Eu aposto na louca. Viva la España!
- Melhor Filme Estrangeiro: Valsa com Bashir.
- Melhor Filme de Animação: Wall-E, obviamente!
Quanto às categorias mais técnicas, não me pronuncio. Espero um repto da Maria e do K.
Segunda-feira faço ponte!
Sally Bowles

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Publicidade justificada ou o Malvolio de Jacobi

Derek Jacobi nos ensaios de Noite de Reis

Segundo a imprensa britânica, esta temporada tem sido uma das mais bem sucedidas do West End. Para isso têm contribuído os musicais e as peças que apostam tudo na “estrela” que encabeça o elenco – e os reality shows que, anualmente, Andrew Lloyd Weber apresenta na BBC para promover a sua última produção. Este ano é Oliver! e as filas nas bilheteiras dão voltas ao quarteirão. É o que dá ter-se Rowan Atkinson como Fagin, Burn Gorman como Bill Sykes e a escolhida do público britânico a dar corpo à trágica Nancy. Os musicais são sempre uma aposta segura, nem que seja por captarem os turistas que não querem deixar de ir ao teatro no West End, mas que não têm o domínio necessário do inglês para ver uma peça “a sério” – ou aqueles espectadores que, pura e simplesmente, apenas querem entretenimento sem grande complexidade. Mas, para quem não gosta de teatro musical – como eu – este ano também não tem sido nada mau. Houve as três peças que formam The Norman Conquests de Ayckbourn no Old Vic, Édipo no National Theatre, houve Ivanov no Wyndham’s ou No Man’s Land, de Pinter, no Duke of York’s. E, neste momento, há Noite de Reis, que ficará para sempre na minha memória.
O Donmar West End entrou no jogo do star power como atractivo de bilheteira, sem dúvida. Já se provou que é algo que resulta – as estrelas de cinema (e televisão) atraem audiências que não vão habitualmente ao teatro (claro que o caso britânico é algo peculiar porque muitas dessas “estrelas” têm o seu background no teatro, o que explica as excelentes interpretações que se podem encontrar em muitas séries da televisão britânica). Veja-se a versão que a Royal Shakespeare Company apresentou de Hamlet no início da temporada e que esgotou em poucas horas, graças a David Tennant. Ou, na temporada passada, o sucesso de Otelo, com Chiwetel Ejiofor no papel principal e Ewan McGregor como Iago. Ambas foram muito bem recebidas pela crítica, mas não foi essa a razão do seu sucesso.
Na sua temporada no Wyndham’s, o Donmar apresenta apenas rostos nos seus cartazes publicitários, que cobrem a fachada do belíssimo teatro da Charing Cross Road. Um rosto por peça – Kenneth Branagh para Ivanov, Derek Jacobi por Noite de Reis, Judi Dench por Madame de Sade e Jude Law para Hamlet. Mas nada disso interessa quando a peça vale mesmo a pena. Ivanov e Noite de Reis foram gloriosos – e asseguraram a minha fidelidade e a minha decisão de estar presente quando estrear Madame de Sade, em Março. O rosto de Jacobi nos cartazes é mais do que justificado. O seu Malvolio é uma experiência única. Ver esta versão de Noite de Reis do Donmar é como assistir à história do teatro a fazer-se perante os nossos olhos. É saber que aquele Malvolio vai ser recordado por muitos e bons anos como um dos melhores do West End e que as fotografias de Jacobi adornarão as paredes do Wyndham’s num futuro próximo.
Jacobi afirmou, numa entrevista, recear este papel porque tantos grandes actores o interpretaram. Mas ele nada tem a temer – só aquele momento em que Malvolio tenta sorrir para agradar (pensa ele) Olívia, ensaiando uma série de grotescas máscaras, até conseguir algo que remotamente se pareça a um sorriso, vale o bilhete de entrada. O seu Malvolio é um Jeeves rígido e puritano, hilariante tanto na sua deferência para com Olívia, no início da peça, quanto nos momentos em que a corteja, depois da enganadora carta de Maria. E, no entanto, a perfeição de Jacobi não nos pode fazer esquecer que a peça tem outras belas actuações, como a de Orsino, lânguido como nunca, numa interpretação que sublinha a sua ambiguidade – e a ambiguidade da sua atracção por Viola/Cesário. Para além do mais, a Olívia de Indira Varma deve ser uma das mais belas criaturas que já adornou os palcos do West End.
Uma sublime peça para um sublime teatro – um teatro onde vale a pena subir às galerias superiores, como costumo fazer no Old Vic, só para percorrer os corredores e as escadarias cobertos de fotografias de velhos êxitos, com um jovem John Gielgud ou um não tão jovem Alec Guinness, para roçar as salas onde gerações e gerações de amantes de teatro viram peças que hoje fazem parte da história do West End. É o fascínio destes velhos teatros carregados de memórias e aplausos, teatros que merecem que o seu legado seja honrado por novas produções que possam rivalizar com as velhas glórias. Noite de Reis honra essa história e prolonga-a da melhor maneira possível.

Maria Braun

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Dia Histórico


Contagem decrescente para a tomada de posse. Finalmente Obama!


Maria Braun

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Say Goodbye to Norma Desmond

Entro no ano novo com muita coisa velha e com uma ou outra coisita nova. Apesar disso, e não sei porque razão, às vezes acho-me cheio de um óptimismo tonto, verdadeiramente cândido. É verdade que isto resulta de ter recuperado o hábito de ouvir canções em repeat. Não se pode ser indiferente à Walcott dos Vampire Weekend: fica-se com vontade de partir o quarto - o que é histérico e inútil - e com vontade de aprender a tocar bateria, violoncelo, sintetizadores. Se nada disso acontecer, pelo menos serve para pular, para perceber que se engordou a olhos vistos - o novo pullover verde não mente, não senhor - e, talvez, para notar que esta canção pode ser prima da Bar Itália dos Pulp.
K.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A Inevitável Lista

Dezembro é o mês das listas – os melhores filmes, os melhores livros, os discos do ano… Junto-me agora ao rebanho e coloco no blog os meus 10 filmes de 2008. Faço esta lista anualmente mas é a primeira vez que a publico. Quero, antes de mais, avisar que estes são os meus 10 filmes e não necessariamente escolhidos entre aqueles que estrearam em Portugal. Na verdade, penso que 2 deles ainda não foram exibidos (corrijam-me se estiver enganada) mas fazem parte da minha lista porque os vi no cinema. Aqui vai, sem nenhuma ordem em particular.

There Will Be Blood, de PT Anderson
La Graine et le Mulet, de Abdel Kechiche
No Country For Old Men, de Joel e Ethan Coen
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu
Coeurs, de Alain Resnais
In Bruges, de Martin McDonagh
Waltz With Bashir, de Ari Folman
Hunger, de Steve McQueen
Entre Les Murs (A Turma), de Laurent Cantet
Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh

Queria deixar menções honrosas a O Voo do Balão Vermelho (que esteve quase a entrar na lista, considerem-no o número 11), a Persepolis (merecia o Óscar de melhor animação), a I’m Not There (que não está na lista porque não é o filme que poderia ter sido, apesar de ter gostado muito dele) e a WALL-E (que é muito bom mas, para mim, não é o melhor que a Pixar tem para oferecer). Dois deles poderiam ter ocupado o lugar de Waltz With Bashir e Happy-Go-Lucky (os que ainda não estrearam em Portugal), mas sou eu que faço a lista e dou as ordens.
Quanto à origem dos filmes, há um claro pendor europeu, com sete filmes originários do nosso continente: três britânicos (In Bruges, Hunger e Happy-Go-Lucky), três franceses (A Turma, Coeurs e La Graine et le Mulet) e um romeno (4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias). Para além dos europeus, há dois filmes norte-americanos (There Will be Blood e No Country for Old Men) e um israelita (Waltz With Bashir). Dez filmes, três continentes – parece-me justo.
Maria Braun

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Winter Wonderland - Ano Dois


Judy Garland em Meet Me in St. Louis


Feliz Natal a todos!

Maria Braun

domingo, 14 de dezembro de 2008

Regresso à escola com os Blur

Blur, To The End
Esta semana, uma das notícias que têm monopolizado a atenção dos jornais britânicos é a do regresso dos Blur. Desculpem-me enquanto salto no sofá como um frenético Tom Cruise. A sério. É como se me tivessem tirado 10 anos de cima e me fizessem voltar a tempos melhores.
Naquela altura tinha um horror absoluto a tudo o que fosse etiquetado de “teenager” ou “comercial” ou, pior ainda, “para raparigas” – desde revistas que tentam provar que as jovens são idiotas até aos filmes românticos da época (Ugh! Titanic! Meg Ryan! Ugh!). Não só era uma irritante indie kid como era insuportavelmente pseudo-intelectual (nem sequer faltava o Sartre). Para minha sorte, uma das minhas amigas comprava esse género de revistas (lembram-se da Smash Hits?) e oferecia-me, meio às escondidas, as entrevistas e posters dos Blur, que eram religiosamente guardados na gaveta. Com a condição de todas as fotografias individuais do Alex James ficarem para ela, claro. Foi o mais próximo que estive da fanzice mais patética, algo que nunca foi o meu género – a outra excepção eram os Pulp. Mas, a verdade é que, uma década depois, continuo a ouvir regularmente aqueles álbuns. Continuam tão frescos e originais agora como na década de 90.
Escolhi este vídeo em particular porque é uma homenagem a um dos mais fascinantes filmes que já vi – filme também descoberto naquela altura – L’Année Dernière à Marienbad, de Alain Resnais. Para além, claro, de ser uma das faixas de um dos melhores discos dos anos 90.
Maria Braun

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Repetições e Variações


Mark Rothko, Red on Maroon, 1959

Maria Braun

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Ainda Brel


Jacques Brel, Bruxelles


Mais uma canção de Brel nos 30 anos da sua morte.


Maria Braun